sexta-feira, 24 de maio de 2013

Professora desabafa depois da campanha de difamação do vereador Marco Porta


     Após o show de horrores ocorrido na última sessão da câmara municipal de Taboão da Serra, 21/05, a professora ADI, Iara Domingas, postou  um comentário no facebook que deixou a todos perplexos e indignados.
O desabafo de Iara Domingos explícita bem a forma como os políticos de nossa cidade trata o funcionalismo e seus professores. Desrespeitar os professores (as) é desrespeitar a toda população.


Abaixo o desabafo de IaraDomingues:


     Nunca me senti tão humilhada em trabalhar em Taboão da Serra,
     Durante a sessão de ontem, o vereador Marco Porta colocou em cheque o profissionalismo das Educadoras que estavam manifestanto sua indignação e exigindo REPOSIÇÃO SALARIAL, QUE A 17 ANOS NÃO OCORRE.
     Gostaria de convidar este a passar um dia com um Educador, eu por exemplo deixo meu bebe de 11 meses com a avó, já que ele não tem VAGA NAS CRECHES MUNICIPAIS, este poderia companhar nossos cuidados com nossos pequenos Taboanenses, que em inumeras ocasiões já levei pomadas de assaduras, lenços umedecidos, Shampoo e Condicionador do MEU FILHO para que os filhos dos outros tivesse um bom atendimento na escola, cuido dos meus alunos como se fosse o meu.
     Após a saída deles, acompanho uma turma de jardim II, estes me recebem calorosos, com cartas e flores, aquele tipo de reconhecimento profissional que realmente guardamos para a vida.
o comentário " Senhores pais que tem seus filhos educados por esses educadores aqui, abram seus olhos”.Não é valido para Trabalhador honesto que ama o que faz, mas sim a aquele que utiliza-se da palavra de Deus para praticar nepotismo e corrupção.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Jornal n° 1 da Periferia Ativa - Comunidades em Luta

Extra! Extra! Saiu o jornal n° 1 da Periferia Ativa - Comunidades em Luta. Uma ferramenta para dar voz as lutas do povo da Periferia.
Leia e divulgue o jornal clicando nesse Link: https://docs.google.com/file/d/0B4eUWkwOS8rgd3RjUVVWd0ktWnc/edit

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Vereadores de Taboão da Serra pretendem votar requerimento em apoio a José Maria Marin

Por José Afonso da Silva


Os vereadores da Câmara Municipal de Taboão da Serra têm em mãos um requerimento, de n° 115/2013, apresentado pelo presidente da casa, Carlos Eduardo Nóbrega/PR, em que pede apoio dos demais vereadores ao presidente da CBF, José Maria Marin.
Segundo o Requerimento, o objetivo é desmentir tentativas infundadas de vinculá-lo à morte do jornalista Wladimir Herzog, diretor da TV cultura à época dos fatos.”
José Maria Marin, que assumiu o comando da CBF após a saída de Ricardo Teixeira, foi um daqueles políticos que galgaram cargos, prestígio e fortuna por suas excelentes relações com a ditadura militar.
A ficha corrida de Marin é extensa e, frequentemente, surgem denúncias de corrupção relacionados às obras da copa do mundo.
Os escândalos de corrupção e o fato de ter sido o inspirador da prisão, seguida do assassinato nos porões do DOI-Codi de São Paulo, do jornalista Vladmir Herzog, faz crescer um movimento pela renúncia de Marin da presidência da CBF.
Marin faz parte daquilo se costuma chamar de entulho autoritário, ou seja, remanescente de um dos períodos mais sombrios da história do Brasil, onde direitos fundamentais foram desrespeitados, seres humanos foram torturados e a democracia foi pisoteada.
Taboão da Serra ficou conhecida nacionalmente pela quadrilha formada para desviar recursos públicos, pelas mortes em hospitais do município decorrentes do sucateamento da saúde pública.
Se os vereadores votarem favorável nesta terça-feira, 21/05, ao Requerimento que propõe apoio a José Maria Marin, Taboão da Serra também ficará conhecida nacionalmente por dar guarida a um político corrupto, agente da ditadura militar e co-responsável pelo assassinato de jornalistas.

E isso nós não podemos aceitar! Os movimentos populares irão à seção para impedir este absurdo.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Informe do Ato DIA DAS MÃES SEM OS FILHOS e da reunião com o Fernando Grella Vieira, Secretário de Segurança Pública de São Paulo


 Por Periferia Ativa - Comunidades em Luta

Neste dia 14 de maio de 2013, terça-feira, a Periferia Ativa acompanhada de vários outros grupos da periferia de São Paulo, organizaram um grande ato contra o extermínio da juventude pobre e negra nas periferias da Grande São Paulo na SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Cerca de ¼ dos 500 manifestantes ocuparam a SSP-SP para exigir uma reunião com secretário de segurança do estado, Fernando Grella Vieira, para tratar com ele reivindicações como o fim do extermínio da juventude na periferia, punição e prisão dos policiais envolvidos, transparência nas investigações, canais seguros para denúncias de crimes cometidos pelos agentes do estado, assim como indenizações às famílias que tiveram entes queridos vitimados pelas chacinas iniciadas em julho de 2012.
Foi proposta uma reunião com o secretário adjunto, no entanto, os ocupantes só aceitavam se reunir com o secretário. Foi apresentada uma nova proposta de reunião com o secretário às 16 horas do mesmo dia e os manifestantes aceitaram.
Nesse intervalo, os cerca de 500 manifestantes se dirigiram até o Ministério Público, onde foi protocolada um conjunto de exigências aquele órgão que deveria ter o papel de investigar e propor punições aos agentes do estado, porém na avaliação das mães e familiares das vítimas, essa ação tem sido muito morosa e obscura.
Após foi feito um ato em frente ao prédio do Ministério Público onde diversas organizações e mães relataram como seus filhos foram chacinados.




Reunião com o secretário Fernando Grella Vieira
Depois de mais de uma hora de espera, uma comissão de 4 pessoas foi recebida pelo secretário Fernando Grella Vieira que estava acompanhado de seus assessores. A ele foi entregue em mãos e apresentado oralmente as reivindicações contidas no documento.
O secretário disse que havia vontade política em acompanhar e resolver todos os casos envolvendo policiais e nos passou alguns números. Disse quem no ano passado 189 policiais foram presos e 315 expulsos da corporação e quem neste ano, 2013, já foram presos 39 e 88 foram expulsos.
Argumentou que a própria secretaria encaminha os casos para o Ministério Público e correm em segredo de justiça e por isso não podem divulgar. Mas também disse que muitas vezes o Ministério Público aceita a denúncia, pede a punição do PM envolvido, no entanto, a justiça não acata.
Isso é importante, porque familiares das vítimas de chacinas policiais, como relatou uma mãe presente na reunião, são ameaçadas constantemente pelos mesmos policiais que promoveram a chacina. Nesse caso o secretário se comprometeu a receber todos os documentos para estudar a transferências desses policias.
Foi proposto pelo secretário que se fizesse as denúncias nos Consegs (Conselhos de Segurança), o que foi rapidamente rebatido pela comissão, uma vez que fazer denúncias nos Consegs era o mesmo colocar a cabeça a prêmio. Por isso era necessário construir um canal seguro onde fosse possível levar as denúncias sem que os denunciantes corressem risco de vida.
A mãe presente criticou a postura do DHPP que vem tratando os familiares das vítimas com desdém e de forma nada amistosa. O que tem gerado medo e receio, já que muitos familiares relatam que após fazerem as denúncias são abordados por viaturas da policia militar próximo as suas casas.
Neste caso, o secretário se comprometeu a receber pessoalmente as denúncias, além de fazer uma reunião com toda a cúpula da polícia do estado para discutir a questão.
Foi apresentado também o problema das indenizações para as vítimas dos familiares. Foi colocado a indignação pelo fato dos policiais mortos em confronto receberem até 200 mil reais, enquanto as vítimas dos agentes do estado não receberam nada.
O secretário explicou que não é a secretaria de segurança que concede esta indenização. Informou, como já sabíamos, que há precedente para que isto ocorra.  Então o secretário se comprometeu a receber os casos e ajudar no encaminhamento dos processos de indenização junto às secretarias e órgãos competentes do estado de São Paulo.
Foi abordada também a forma violenta como a polícia vem agindo no combate aos eventos culturais que reúne a juventude na periferia, entre eles, os bailes fanks. Agressões gratuitas, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e prisões arbitrária de jovens e participantes.
Afirmou-se que esse tipo de ação policial era uma tragédia anunciada, assim como ocorreu no Paraisópolis, onde uma jovem ficou cega numa dessas ações da policia militar.
O secretário disse não estar informado desse tipo de ação. Mas que tomaria providências. Falou inclusive do convênio com a prefeitura de São Paulo, onde, segundo ele, foi colocado para o prefeito Haddad que não adianta combater os bailes fanks sem construir espaços públicos para os jovens.
Para demonstrar sua disposição, o secretário Fernando Grella Vieira, agendou nova reunião com a Comissão para o próximo dia 20/05, segunda-feira, ás 10 horas. Nessa reunião, o secretário disse que convocará a cúpula da segurança pública para tirar a limpo caso a caso, começando pelas denúncias feitas pelas mães.
A avaliação é que fazemos é que o ato foi importante e cumpriu seu papel. Não construiríamos esse canal de negociação sem mobilização.
Apesar das boas intenções apresentadas pelo secretário, só podemos confiar na mobilização dos familiares das vítimas e da população da periferia.
Todas as organizações, que junto com a Periferia Ativa, participaram deste ato estão de parabéns. A partir de agora o povo da periferia não se reunirá apenas nos cemitérios para enterrar seus mortos, mas sim de onde são dadas as ordens.










A Periferia Ativa - Comunidade de Lutas






domingo, 12 de maio de 2013

Dia das Mães sem os filhos

Por Periferia Ativa (Comunidades em Luta)


Ato 14/Maio em frente ao Ministério Público
(Concentração às 9h00 na Praça da Sé)

Desde de junho de 2012, jovens e moradores da periferia da Grande São Paulo foram aterrorizados por chacinas e execuções promovidas por grupos de motoqueiros encapuzados que vitimaram mais de 400 pessoas, na maioria jovens, inocentes e sem antecedentes criminais.
Lamentavelmente, aqueles que deveriam proteger a população, estão em quase todos os casos entre os principais suspeitos pelos assassinatos.
Isso quando não se comprovaram o envolvimento de policiais nas chacinas, como no caso do Jardim Rosana, na Brasilândia e Osasco, numa flagrante violação dos direitos humanos pelos agentes do estado.
Recentemente, o governo do estado anunciou uma indenização de 200 mil reais para as famílias dos policiais assassinados no ano passado, o que na nossa opinião está correto. No entanto, não estender essa indenização às famílias das vítimas civis, na grande maioria pobres, negros e moradores da periferia, é um desrespeito.
Para muitas mães, este foi o primeiro dia das mães sem seus filhos e o mínimo que se pode esperar por parte do governo em respeito a dor dessas mães é a mesma indenização dada aos policiais, a garantia de levar as investigações até o fim e por na cadeira os responsáveis.
É Por isso que estaremos nesse dia 14 de maio, terça-feira, no horário das 9h00, em um grande ato em frente ao Ministério Público para exigir:
·          Indenização igual a das famílias dos policiais para as famílias que tiveram seus entes assassinados e
·          Investigação e punição de todos os policiais envolvidos nas chacinas

Organizador: Periferia Ativa (Comunidades em Luta)

Apoio: MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra.

PRESIDENTE DA APEOESP NÃO RESPEITA VOTAÇÃO DA ASSEMBLEIA E ACABA COM A GREVE DOS PROFESSORES ESTADUAIS DE SÃO PAULO.

Por Miguel Leme


Mais de 5 mil professores paulistas participaram nesta sexta-feira, 10 de maio, no Vão Livre no Masp, na Avenida Paulista, da Assembleia Estadual que debateu a continuidade da greve categoria, iniciada no dia 19 de abril.

Antes desta Assembleia Estadual, na parte da manhã, foi realizada uma reunião de negociação da Apeoesp com o Secretário Estadual de Educação de São Paulo, Herman Voorwald.

Nesta reunião,  o Secretário de Educação sinalizou com as seguintes propostas:
·               fim da prova anual aplicada aos professores da chamada “categoria F”;
·               fim da prova exigida dos professores da chamada “cate­goria O” que já pertencem à rede estadual;
·               Manutenção da “quarentena” em detrimento da“duzentena” para os professores categoria “O” .
·               direito de atendimento médico pelo IAMSPE aos profes­sores da “categoria O”;
·               Concurso público no segundo semestre para professores PEB II;
·               não privatização do Hospital do Servidor Público e do IAMSPE;
·               convocação da comissão paritária prevista no artigo 5º da lei complementar nº 1143/11 para discussão da pos­sibilidade de novo reajuste e discussão da implantação paulatina da jornada do piso (no mínimo 1/3 da jornada para preparação de aulas e formação, entre outras ativi­dades extraclasse); discussão do pagamento dos dias parados e retirada das faltas da greve mediante reposição de aulas.
A Oposição Alternativa, corrente sindical da Apeoesp da qual os militantes da LSR e do Bloco de Resistência Socialista (BRS) fazem parte, defendeu a continuidade da greve até `a próxima terça-feira, 14 de maio.
Esta continuidade da greve era necessária para que a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo formalizasse por escrito todas essas propostas. Esse governo já prometeu e não cumpriu muitas das suas promessas do passado feitas verbalmente. 
Além disso, era importante realizarmos um grande Ato Unificado em Defesa da Educação com os professores do município de São Paulo que estão em greve e farão uma assembleia nesta data.
A Direção majoritária da APEOESP (CUT/PT e PC do B) e alguns setores de oposição defenderam o fim da greve.
A defesa do fim da greve também era legítima pelo fato do índice de paralisação ter despencado no Estado.
Feitas as defesas, a votação foi encaminhada e a proposta de continuidade da greve foi vitoriosa por ampla maioria.
A presidente da APEOESP não respeitou o resultado da votação e de forma truculenta e autoritária, resolveu suspender a greve e acabar com a Assembléia Estadual.  Essa postura da presidente da APEOESP se explica por um motivo simples: proteger politicamente, a qualquer custo, o prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad.
Após esse desrespeito `a vontade da categoria, professores de base se revoltaram e começaram a jogar objetos no carro de som. Apesar de não concordarmos com esse método, compreendemos a reação destes professores.
Apesar desse ataque `a democracia da categoria, é inegável que os professores estaduais de São Paulo obtiveram modestas, mas importantes conquistas em virtude desta greve. 
Além da continuidade da luta, o grande desafio para o próximo período é o de unificar a Oposição para derrubar Bebel e sua turma da direção da APEOESP.

Miguel  Leme
Executiva Nacional da CSP-Conlutas e
Diretor da APEOESP pela Oposição Alternativa


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Currículo da Pobre Preta, Gorda, feia, velha... e ainda Mulher. E a busca de emprego!

Por Jonathan de Oliveira Mendonça

Escrevi este currículo
Bem que possa parecer
De fato um tanto ridículo
Porém, por estranho ser,
Que o leia atentamente
Curioso ao diferente

Dados Pessoais

Nome Completo: Maria
Santos Silva de Oliveira
Habito em Olaria
Por três visitei parteira
Sou do Rio de Janeiro
Trinta e nove anos inteiros

Sobre a forma de contato
Telefone é orelhão
Mas não tenho um de fato
E e-mail, não tenho não
Por não ter computador
Que é caro e é pra Dr.

Experiência Profissional
Experiência é tanta
Que aqui para relatar
Posso até perder as contas
E se acaso não lembrar
Importa o que aqui está
-Nem sendo isso alguém lerá-

Eu já fui Dona de casa
Trabalhei de diarista
Tudo cons filhos n’asa
Como feito de artista
Fazia comida, lavava
Roupa e tudo agüentava

Preocupada com o marido
Bonita o quanto possível
Maquiava... e o leite vivo
Derramava imprevisível
Limpava o fogão correndo
Sendo dez uma só sendo:

Mais novo querendo comer
Outro querendo fumar
A menina quis crescer
Por isso resolveu dar
A patroa quer as roupas
E fala boas e poucas

Escuto sem reclamar
Limpo a bagunça todinha
A minha, as do meu lar
E aquela que nem é minha
Pra cuidar do meu marido
E dos meus filhos queridos

Cursos

Curso, eu tenho os da vida
Que a vida não concedeu
Que eu fizesse outros na ida
Do curso que a vida deu
Sei apenas lé-com-cré
(Isso não basta, não é?!)

Foto 3x4

Agora o que mais importa
Pelo que eu sempre noto
Relatarei... sobre a torta
Que aparece na foto:
Preta, Gorda e feia é
Velha, e ainda mulher!

Mas relato defendendo
Com argumento e vigor
Pois qualidade é adendo
Pro povo que é sofredor
O que eu quero é trabalho
O resto, eu como com alho!

¹
Sou preta, cabelo ruim
Mas não dispenso labuta
Se mi’a mãe me fez assim
Chame de filha da puta
E meu cabelo de ouriço
Porém, me dê o serviço

Se pensar bem, tu verás
Que pra uma maior usura
Melhor mi’a pele que traz
A marca da escravatura
Que o salário desce mais
E o teu lucro assegura

²
Sou gorda, do braço forte
Mas não dispenso labora
Se a vida não me deu sorte
Chame de obesa agora
Diga que como chouriço
Porém, me dê o serviço

Se pensar bem, tu verás
Que pra uma maior usura
Pior ser magra demais
Melhor sobrar a gordura
Que o salário desce mais
E o teu lucro assegura

³
Sou velha, de trinta e tantos
Mas não dispenso a panela
Se a idade tira os encantos
Velha e feia é mais que a bela
Chame até de estrupício
Porém, me dê o serviço

Se pensar bem, tu verás
Que pra uma maior usura
Melhor pros saldos finais
Estar perto a sepultura
Que o salário desce mais
E o teu lucro assegura

4
Sou mulher, tenho vagina
Mas não dispenso a enxada
Se sou frágil e pequenina
Tenho a força ocultada
Ofenda-me e o catiço
Porém, me dê o serviço

Se pensar bem tu verás
Que pra uma maior usura
Bem mais que um macho voraz
Vale minha formosura
Que o salário desce mais
E o teu lucro assegura

Informações Adicionais

Já com o diálogo aberto
Vou-lhe chamando patrão
Pois creio que és esperto
E o lucro é tua ambição
Eis aqui a moça torta:
Preta, gorda, quase morta

Se cada das qualidades
Puxa abaixo o meu salário
E tu, só por vaidade
Não me contrata, és otário
Eu vou a um mais esperto
Que me contrata decerto

E quando lá estiver
Recebendo a metade
Meu patrão vai lhe dizer
Que o que eu lhe disse é verdade:
“Sempre é caro o branco e macho
Mulher e preta é capacho”

*
A marca da escravatura
A marca da ignorância
Arrebata a escultura
Que se exalta com pujança
Na testa da negra estampa
A inscrição de inferior
Com o sangue na mão branca
Sangue negro em seu senhor
E o sangue fora da vista
Derramado se esconde
E o branco capitalista
Finge não saber de onde
Vem o rubro escondido
-Não sabe a sua nascente-
E à leste, está esquecido
O gigante continente
Que chora a dor e a avaria
Da humanidade inteira
No sofrimento de Maria
Santos Silva de Oliveira
Que por possuir a cor
Do que é mais subjetivo
Apanha e não vê que a dor
Que sente não tem motivo

*
Na gordura, o empecilho
Cada quilo uma vergonha
Cada vergonha estribilho
E em cada verso o que sonha:
Não querer corpo vendido
-Prostitui-se a formosura-
Querer, do ventre nascido,
Alimentar a criatura
Não querer que sobreponha
A cor pelo sentimento
Não querer que o que se sonha
Seja, ao mercado, fomento
Querer que da humanidade
Seja o útero expressão
Querer que fragilidade
Não seja submissão
E um sentimento lhe chega
Como nunca até então
Um sentimento que nega
A busca da exploração
Um sentimento que acampa
E marca a sua mão
Vendo que a marca se estampa
Na palma de outra mão
E que as mãos espalmadas,
Uma a uma, mão a mão
Não se unem acorrentadas
-resquícios da escravidão-
Hoje, presas, são libertas
Uma a uma, mão a mão
Livres-presas apontam certas
A fazer revolução