segunda-feira, 20 de maio de 2013

Vereadores de Taboão da Serra pretendem votar requerimento em apoio a José Maria Marin

Por José Afonso da Silva


Os vereadores da Câmara Municipal de Taboão da Serra têm em mãos um requerimento, de n° 115/2013, apresentado pelo presidente da casa, Carlos Eduardo Nóbrega/PR, em que pede apoio dos demais vereadores ao presidente da CBF, José Maria Marin.
Segundo o Requerimento, o objetivo é desmentir tentativas infundadas de vinculá-lo à morte do jornalista Wladimir Herzog, diretor da TV cultura à época dos fatos.”
José Maria Marin, que assumiu o comando da CBF após a saída de Ricardo Teixeira, foi um daqueles políticos que galgaram cargos, prestígio e fortuna por suas excelentes relações com a ditadura militar.
A ficha corrida de Marin é extensa e, frequentemente, surgem denúncias de corrupção relacionados às obras da copa do mundo.
Os escândalos de corrupção e o fato de ter sido o inspirador da prisão, seguida do assassinato nos porões do DOI-Codi de São Paulo, do jornalista Vladmir Herzog, faz crescer um movimento pela renúncia de Marin da presidência da CBF.
Marin faz parte daquilo se costuma chamar de entulho autoritário, ou seja, remanescente de um dos períodos mais sombrios da história do Brasil, onde direitos fundamentais foram desrespeitados, seres humanos foram torturados e a democracia foi pisoteada.
Taboão da Serra ficou conhecida nacionalmente pela quadrilha formada para desviar recursos públicos, pelas mortes em hospitais do município decorrentes do sucateamento da saúde pública.
Se os vereadores votarem favorável nesta terça-feira, 21/05, ao Requerimento que propõe apoio a José Maria Marin, Taboão da Serra também ficará conhecida nacionalmente por dar guarida a um político corrupto, agente da ditadura militar e co-responsável pelo assassinato de jornalistas.

E isso nós não podemos aceitar! Os movimentos populares irão à seção para impedir este absurdo.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Informe do Ato DIA DAS MÃES SEM OS FILHOS e da reunião com o Fernando Grella Vieira, Secretário de Segurança Pública de São Paulo


 Por Periferia Ativa - Comunidades em Luta

Neste dia 14 de maio de 2013, terça-feira, a Periferia Ativa acompanhada de vários outros grupos da periferia de São Paulo, organizaram um grande ato contra o extermínio da juventude pobre e negra nas periferias da Grande São Paulo na SSP-SP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo.
Cerca de ¼ dos 500 manifestantes ocuparam a SSP-SP para exigir uma reunião com secretário de segurança do estado, Fernando Grella Vieira, para tratar com ele reivindicações como o fim do extermínio da juventude na periferia, punição e prisão dos policiais envolvidos, transparência nas investigações, canais seguros para denúncias de crimes cometidos pelos agentes do estado, assim como indenizações às famílias que tiveram entes queridos vitimados pelas chacinas iniciadas em julho de 2012.
Foi proposta uma reunião com o secretário adjunto, no entanto, os ocupantes só aceitavam se reunir com o secretário. Foi apresentada uma nova proposta de reunião com o secretário às 16 horas do mesmo dia e os manifestantes aceitaram.
Nesse intervalo, os cerca de 500 manifestantes se dirigiram até o Ministério Público, onde foi protocolada um conjunto de exigências aquele órgão que deveria ter o papel de investigar e propor punições aos agentes do estado, porém na avaliação das mães e familiares das vítimas, essa ação tem sido muito morosa e obscura.
Após foi feito um ato em frente ao prédio do Ministério Público onde diversas organizações e mães relataram como seus filhos foram chacinados.




Reunião com o secretário Fernando Grella Vieira
Depois de mais de uma hora de espera, uma comissão de 4 pessoas foi recebida pelo secretário Fernando Grella Vieira que estava acompanhado de seus assessores. A ele foi entregue em mãos e apresentado oralmente as reivindicações contidas no documento.
O secretário disse que havia vontade política em acompanhar e resolver todos os casos envolvendo policiais e nos passou alguns números. Disse quem no ano passado 189 policiais foram presos e 315 expulsos da corporação e quem neste ano, 2013, já foram presos 39 e 88 foram expulsos.
Argumentou que a própria secretaria encaminha os casos para o Ministério Público e correm em segredo de justiça e por isso não podem divulgar. Mas também disse que muitas vezes o Ministério Público aceita a denúncia, pede a punição do PM envolvido, no entanto, a justiça não acata.
Isso é importante, porque familiares das vítimas de chacinas policiais, como relatou uma mãe presente na reunião, são ameaçadas constantemente pelos mesmos policiais que promoveram a chacina. Nesse caso o secretário se comprometeu a receber todos os documentos para estudar a transferências desses policias.
Foi proposto pelo secretário que se fizesse as denúncias nos Consegs (Conselhos de Segurança), o que foi rapidamente rebatido pela comissão, uma vez que fazer denúncias nos Consegs era o mesmo colocar a cabeça a prêmio. Por isso era necessário construir um canal seguro onde fosse possível levar as denúncias sem que os denunciantes corressem risco de vida.
A mãe presente criticou a postura do DHPP que vem tratando os familiares das vítimas com desdém e de forma nada amistosa. O que tem gerado medo e receio, já que muitos familiares relatam que após fazerem as denúncias são abordados por viaturas da policia militar próximo as suas casas.
Neste caso, o secretário se comprometeu a receber pessoalmente as denúncias, além de fazer uma reunião com toda a cúpula da polícia do estado para discutir a questão.
Foi apresentado também o problema das indenizações para as vítimas dos familiares. Foi colocado a indignação pelo fato dos policiais mortos em confronto receberem até 200 mil reais, enquanto as vítimas dos agentes do estado não receberam nada.
O secretário explicou que não é a secretaria de segurança que concede esta indenização. Informou, como já sabíamos, que há precedente para que isto ocorra.  Então o secretário se comprometeu a receber os casos e ajudar no encaminhamento dos processos de indenização junto às secretarias e órgãos competentes do estado de São Paulo.
Foi abordada também a forma violenta como a polícia vem agindo no combate aos eventos culturais que reúne a juventude na periferia, entre eles, os bailes fanks. Agressões gratuitas, bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e prisões arbitrária de jovens e participantes.
Afirmou-se que esse tipo de ação policial era uma tragédia anunciada, assim como ocorreu no Paraisópolis, onde uma jovem ficou cega numa dessas ações da policia militar.
O secretário disse não estar informado desse tipo de ação. Mas que tomaria providências. Falou inclusive do convênio com a prefeitura de São Paulo, onde, segundo ele, foi colocado para o prefeito Haddad que não adianta combater os bailes fanks sem construir espaços públicos para os jovens.
Para demonstrar sua disposição, o secretário Fernando Grella Vieira, agendou nova reunião com a Comissão para o próximo dia 20/05, segunda-feira, ás 10 horas. Nessa reunião, o secretário disse que convocará a cúpula da segurança pública para tirar a limpo caso a caso, começando pelas denúncias feitas pelas mães.
A avaliação é que fazemos é que o ato foi importante e cumpriu seu papel. Não construiríamos esse canal de negociação sem mobilização.
Apesar das boas intenções apresentadas pelo secretário, só podemos confiar na mobilização dos familiares das vítimas e da população da periferia.
Todas as organizações, que junto com a Periferia Ativa, participaram deste ato estão de parabéns. A partir de agora o povo da periferia não se reunirá apenas nos cemitérios para enterrar seus mortos, mas sim de onde são dadas as ordens.










A Periferia Ativa - Comunidade de Lutas






domingo, 12 de maio de 2013

Dia das Mães sem os filhos

Por Periferia Ativa (Comunidades em Luta)


Ato 14/Maio em frente ao Ministério Público
(Concentração às 9h00 na Praça da Sé)

Desde de junho de 2012, jovens e moradores da periferia da Grande São Paulo foram aterrorizados por chacinas e execuções promovidas por grupos de motoqueiros encapuzados que vitimaram mais de 400 pessoas, na maioria jovens, inocentes e sem antecedentes criminais.
Lamentavelmente, aqueles que deveriam proteger a população, estão em quase todos os casos entre os principais suspeitos pelos assassinatos.
Isso quando não se comprovaram o envolvimento de policiais nas chacinas, como no caso do Jardim Rosana, na Brasilândia e Osasco, numa flagrante violação dos direitos humanos pelos agentes do estado.
Recentemente, o governo do estado anunciou uma indenização de 200 mil reais para as famílias dos policiais assassinados no ano passado, o que na nossa opinião está correto. No entanto, não estender essa indenização às famílias das vítimas civis, na grande maioria pobres, negros e moradores da periferia, é um desrespeito.
Para muitas mães, este foi o primeiro dia das mães sem seus filhos e o mínimo que se pode esperar por parte do governo em respeito a dor dessas mães é a mesma indenização dada aos policiais, a garantia de levar as investigações até o fim e por na cadeira os responsáveis.
É Por isso que estaremos nesse dia 14 de maio, terça-feira, no horário das 9h00, em um grande ato em frente ao Ministério Público para exigir:
·          Indenização igual a das famílias dos policiais para as famílias que tiveram seus entes assassinados e
·          Investigação e punição de todos os policiais envolvidos nas chacinas

Organizador: Periferia Ativa (Comunidades em Luta)

Apoio: MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e Comitê Contra o Genocídio da Juventude Negra.

PRESIDENTE DA APEOESP NÃO RESPEITA VOTAÇÃO DA ASSEMBLEIA E ACABA COM A GREVE DOS PROFESSORES ESTADUAIS DE SÃO PAULO.

Por Miguel Leme


Mais de 5 mil professores paulistas participaram nesta sexta-feira, 10 de maio, no Vão Livre no Masp, na Avenida Paulista, da Assembleia Estadual que debateu a continuidade da greve categoria, iniciada no dia 19 de abril.

Antes desta Assembleia Estadual, na parte da manhã, foi realizada uma reunião de negociação da Apeoesp com o Secretário Estadual de Educação de São Paulo, Herman Voorwald.

Nesta reunião,  o Secretário de Educação sinalizou com as seguintes propostas:
·               fim da prova anual aplicada aos professores da chamada “categoria F”;
·               fim da prova exigida dos professores da chamada “cate­goria O” que já pertencem à rede estadual;
·               Manutenção da “quarentena” em detrimento da“duzentena” para os professores categoria “O” .
·               direito de atendimento médico pelo IAMSPE aos profes­sores da “categoria O”;
·               Concurso público no segundo semestre para professores PEB II;
·               não privatização do Hospital do Servidor Público e do IAMSPE;
·               convocação da comissão paritária prevista no artigo 5º da lei complementar nº 1143/11 para discussão da pos­sibilidade de novo reajuste e discussão da implantação paulatina da jornada do piso (no mínimo 1/3 da jornada para preparação de aulas e formação, entre outras ativi­dades extraclasse); discussão do pagamento dos dias parados e retirada das faltas da greve mediante reposição de aulas.
A Oposição Alternativa, corrente sindical da Apeoesp da qual os militantes da LSR e do Bloco de Resistência Socialista (BRS) fazem parte, defendeu a continuidade da greve até `a próxima terça-feira, 14 de maio.
Esta continuidade da greve era necessária para que a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo formalizasse por escrito todas essas propostas. Esse governo já prometeu e não cumpriu muitas das suas promessas do passado feitas verbalmente. 
Além disso, era importante realizarmos um grande Ato Unificado em Defesa da Educação com os professores do município de São Paulo que estão em greve e farão uma assembleia nesta data.
A Direção majoritária da APEOESP (CUT/PT e PC do B) e alguns setores de oposição defenderam o fim da greve.
A defesa do fim da greve também era legítima pelo fato do índice de paralisação ter despencado no Estado.
Feitas as defesas, a votação foi encaminhada e a proposta de continuidade da greve foi vitoriosa por ampla maioria.
A presidente da APEOESP não respeitou o resultado da votação e de forma truculenta e autoritária, resolveu suspender a greve e acabar com a Assembléia Estadual.  Essa postura da presidente da APEOESP se explica por um motivo simples: proteger politicamente, a qualquer custo, o prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad.
Após esse desrespeito `a vontade da categoria, professores de base se revoltaram e começaram a jogar objetos no carro de som. Apesar de não concordarmos com esse método, compreendemos a reação destes professores.
Apesar desse ataque `a democracia da categoria, é inegável que os professores estaduais de São Paulo obtiveram modestas, mas importantes conquistas em virtude desta greve. 
Além da continuidade da luta, o grande desafio para o próximo período é o de unificar a Oposição para derrubar Bebel e sua turma da direção da APEOESP.

Miguel  Leme
Executiva Nacional da CSP-Conlutas e
Diretor da APEOESP pela Oposição Alternativa


quinta-feira, 9 de maio de 2013

Currículo da Pobre Preta, Gorda, feia, velha... e ainda Mulher. E a busca de emprego!

Por Jonathan de Oliveira Mendonça

Escrevi este currículo
Bem que possa parecer
De fato um tanto ridículo
Porém, por estranho ser,
Que o leia atentamente
Curioso ao diferente

Dados Pessoais

Nome Completo: Maria
Santos Silva de Oliveira
Habito em Olaria
Por três visitei parteira
Sou do Rio de Janeiro
Trinta e nove anos inteiros

Sobre a forma de contato
Telefone é orelhão
Mas não tenho um de fato
E e-mail, não tenho não
Por não ter computador
Que é caro e é pra Dr.

Experiência Profissional
Experiência é tanta
Que aqui para relatar
Posso até perder as contas
E se acaso não lembrar
Importa o que aqui está
-Nem sendo isso alguém lerá-

Eu já fui Dona de casa
Trabalhei de diarista
Tudo cons filhos n’asa
Como feito de artista
Fazia comida, lavava
Roupa e tudo agüentava

Preocupada com o marido
Bonita o quanto possível
Maquiava... e o leite vivo
Derramava imprevisível
Limpava o fogão correndo
Sendo dez uma só sendo:

Mais novo querendo comer
Outro querendo fumar
A menina quis crescer
Por isso resolveu dar
A patroa quer as roupas
E fala boas e poucas

Escuto sem reclamar
Limpo a bagunça todinha
A minha, as do meu lar
E aquela que nem é minha
Pra cuidar do meu marido
E dos meus filhos queridos

Cursos

Curso, eu tenho os da vida
Que a vida não concedeu
Que eu fizesse outros na ida
Do curso que a vida deu
Sei apenas lé-com-cré
(Isso não basta, não é?!)

Foto 3x4

Agora o que mais importa
Pelo que eu sempre noto
Relatarei... sobre a torta
Que aparece na foto:
Preta, Gorda e feia é
Velha, e ainda mulher!

Mas relato defendendo
Com argumento e vigor
Pois qualidade é adendo
Pro povo que é sofredor
O que eu quero é trabalho
O resto, eu como com alho!

¹
Sou preta, cabelo ruim
Mas não dispenso labuta
Se mi’a mãe me fez assim
Chame de filha da puta
E meu cabelo de ouriço
Porém, me dê o serviço

Se pensar bem, tu verás
Que pra uma maior usura
Melhor mi’a pele que traz
A marca da escravatura
Que o salário desce mais
E o teu lucro assegura

²
Sou gorda, do braço forte
Mas não dispenso labora
Se a vida não me deu sorte
Chame de obesa agora
Diga que como chouriço
Porém, me dê o serviço

Se pensar bem, tu verás
Que pra uma maior usura
Pior ser magra demais
Melhor sobrar a gordura
Que o salário desce mais
E o teu lucro assegura

³
Sou velha, de trinta e tantos
Mas não dispenso a panela
Se a idade tira os encantos
Velha e feia é mais que a bela
Chame até de estrupício
Porém, me dê o serviço

Se pensar bem, tu verás
Que pra uma maior usura
Melhor pros saldos finais
Estar perto a sepultura
Que o salário desce mais
E o teu lucro assegura

4
Sou mulher, tenho vagina
Mas não dispenso a enxada
Se sou frágil e pequenina
Tenho a força ocultada
Ofenda-me e o catiço
Porém, me dê o serviço

Se pensar bem tu verás
Que pra uma maior usura
Bem mais que um macho voraz
Vale minha formosura
Que o salário desce mais
E o teu lucro assegura

Informações Adicionais

Já com o diálogo aberto
Vou-lhe chamando patrão
Pois creio que és esperto
E o lucro é tua ambição
Eis aqui a moça torta:
Preta, gorda, quase morta

Se cada das qualidades
Puxa abaixo o meu salário
E tu, só por vaidade
Não me contrata, és otário
Eu vou a um mais esperto
Que me contrata decerto

E quando lá estiver
Recebendo a metade
Meu patrão vai lhe dizer
Que o que eu lhe disse é verdade:
“Sempre é caro o branco e macho
Mulher e preta é capacho”

*
A marca da escravatura
A marca da ignorância
Arrebata a escultura
Que se exalta com pujança
Na testa da negra estampa
A inscrição de inferior
Com o sangue na mão branca
Sangue negro em seu senhor
E o sangue fora da vista
Derramado se esconde
E o branco capitalista
Finge não saber de onde
Vem o rubro escondido
-Não sabe a sua nascente-
E à leste, está esquecido
O gigante continente
Que chora a dor e a avaria
Da humanidade inteira
No sofrimento de Maria
Santos Silva de Oliveira
Que por possuir a cor
Do que é mais subjetivo
Apanha e não vê que a dor
Que sente não tem motivo

*
Na gordura, o empecilho
Cada quilo uma vergonha
Cada vergonha estribilho
E em cada verso o que sonha:
Não querer corpo vendido
-Prostitui-se a formosura-
Querer, do ventre nascido,
Alimentar a criatura
Não querer que sobreponha
A cor pelo sentimento
Não querer que o que se sonha
Seja, ao mercado, fomento
Querer que da humanidade
Seja o útero expressão
Querer que fragilidade
Não seja submissão
E um sentimento lhe chega
Como nunca até então
Um sentimento que nega
A busca da exploração
Um sentimento que acampa
E marca a sua mão
Vendo que a marca se estampa
Na palma de outra mão
E que as mãos espalmadas,
Uma a uma, mão a mão
Não se unem acorrentadas
-resquícios da escravidão-
Hoje, presas, são libertas
Uma a uma, mão a mão
Livres-presas apontam certas
A fazer revolução

quarta-feira, 8 de maio de 2013

PROFESSORA SOFRE ASSÉDIO MORAL NA ESCOLA LÚCIA DE CASTRO


Por José Afonso da Silva

No último boletim da Subsede Apeoesp de Taboão da Serra (clique aqui para ler o boletimna íntegra), consta que uma professora da  escola Lúcia de Castro, município de Taboão da Serra, procurou a Apeoesp para dizer que estava sofrendo perseguições e humilhações por parte da diretora e coordenadora da escola.
Segundo a professora, a coordenadora da escola, Sra. Carmela, entrou várias vezes em sua sala de aula sem sua autorização e adotando práticas antipedagógicas como obrigar a professora a devolver trabalhos dos alunos e interferir em explicações de exercícios.
A interferência da coordenadora gerou uma situação em que os alunos perderam o respeito pela professora e chegaram a xingá-la e nenhuma medida foi tomada em favor da professora por parte da equipe gestora. A professora ainda foi impedida de fazer contato com os pais dos alunos para discutir assuntos relacionados aos problemas relacionados.
O boletim da Apeoesp narra que em uma reunião ocorrida na escola, com a presença da supervisão, a diretora ameaçou a professora, que é categoria “O”, e que caso a professora não pedisse  o rompimento do contrato,  ela mesmo faria isso.
Ainda tentaram fazer com que a professora se auto-incriminasse, assinando um documento em que constava que ela não sabia dar aulas, nem garantir a disciplina da classe. Mas, a professora se recusou a assinar e procurou a Apeoesp para se defender.
“Esta atitude digna e corajosa é um exemplo para outros professores (as) desta escola fazerem o mesmo, e também para todos os colegas de outras escolas que vem sofrendo nas mãos de diretores e coordenadores carrascos.” (sic)
De acordo com o texto do boletim da Apeoesp, “Estamos diante de uma prática truculenta de assédio moral de parte da diretora, Sra. Sílvia, e da coordenadora, Sra. Carmela. A subsede vai exigir da Diretoria de Ensino um posicionamento claro e inequívoco contra estas práticas e vamos defender o direito ao trabalho da professora. Nesta semana, discutiremos com o advogado da subsede o encaminhamento de processo de assédio moral contra as gestoras. E vamos buscar o apoio dos professores, alunos e pais para defender a professora e exigir a saída imediata da diretora e da coordenadora, devido ao abuso de poder e às práticas antipedagógicas e autoritárias que vêm adotando, já de longa data.” (sic)
O caso de assédio moral narrado no boletim da Apeoesp de Taboão da Serra, infelizmente, é uma prática comum nas escolas da rede estadual, municipais, assim como nas escolas da rede privada. A prática de assédio moral a um trabalhador ou trabalhadora afeta a auto-estiva do assediado e provoca graves problemas de saúde e de ordem emocional, levando a perda de produtividade no trabalho, assim como o afastamento médico.
A escola Lúcia de Castro é considerada uma das “melhores” escolas de Taboão da Serra e já foi a primeira colocada no IDESP. No entanto, a escola sempre foi conhecida pelos professores da rede como uma das mais autoritárias da região e esse autoritarismo está arraigado na cultura implementada desde seu antigo diretor que controlava a escola com mão de ferro.
Apesar da postura antidemocrática desse diretor, a escola tinha uma fama de escola que funcionava. Isso criou uma mentalidade entre país e alunos de que escola para ser boa e “funcionar” deve ser gerida com mão de ferro, logo, abrindo mão dos espaços coletivos, justificado qualquer postura autoritária. A escola chegou ao ponto de se quer seguir as orientações da secretaria de educação do estado e interferências das supervisoras da Diretoria de Ensino.
Não foram poucas as denúncias de professores reclamando de atitudes de assédio moral, infelizmente, a maioria não levou a denúncia a frente, seja por medo ou para preservar o emprego.
Fato concreto é que o assédio moral é crime e a única forma de combatê-lo é denunciando. Guardar pra sim o problema não o resolve e acarreta problemas de saúde que às vezes são irreversíveis, como depressão e síndrome do pânico.
A lição deixada pela professora em denunciar deve ser seguida por todos os professores (as) e trabalhadores (as) que se sentirem na mesma situação.




domingo, 5 de maio de 2013

TAMBÉM MORRE QUEM ATIRA

Por Guilherme Simões

   
 João cravejava a vítima com um olhar sangrento. Era assim que ele sabia olhar. Sabia que poderia ter consequência o crime bárbaro que cometia. E que ele é quem iria pagar em vida esse pecado tão cruel.
João nasceu na curva de São Paulo, onde “o vento encosta o lixo”. Longe da atenção da imprensa e dos secretários, subsecretários e outros profissionais do serviço ao cidadão. João não era exatamente um cidadão. Nasceu numa família fadada à desagregação. Coisa típica dessa gente sem cultura e educação, os pobres. Por isso não tinha passeio no fim de semana nem presente em data especial. João era mais um na multidão sem cara e coração da metrópole.
     Quando pela primeira vez o Conselho Tutelar foi na casa do João, a mãe dele tava chorando. O pai tinha acabado de sair. Não tinha emprego, mas era agressivo. Bateu na mãe do João porque ela perguntou sobre a mistura. João viu, mas fingiu que não viu. Não perguntou nada pra mãe. Também não tentou consola-la. Tinha muito medo do pai, que o molestou, ele e os outros 5 irmãos, durante 5 anos até ser esfaqueado pelo mais velho. 
     A moça do Conselho queria saber por que um menino de 8 anos não estava na escola e etc. A mãe se saiu prometendo que segunda feira iria fazer a matrícula do João e que estava esperando cair um dinheiro pra ela comprar o material da criança. Lápis, borracha e um caderno. A mãe comprou e o João levou o material na mão, já na outra semana. Ele tinha 8 anos e entrava na 1ª série sem saber ler. Nunca imaginara que crianças menores que ele poderiam tirar sarro dele. Ele nem sabia o que era sarro, ironia, maldade. Ele era um menino. Mas sentia uma coisa aguda lhe entrando quando as crianças alegavam saber mais coisas do que ele e que por isso eram melhores...
    João seguiu na escola até desistir, depois de incentivado pela diretora da escola estadual. João não teria o “perfil” da escola e por isso, sua situação de déficit de aprendizagem não poderia ser solucionado ali. 
-E pra onde eu levo ele? Perguntou a mãe, querendo saber o que fazer, porque aquela era a única escola estadual do bairro. Se ele tivesse que estudar no bairro vizinho, como fazer? Não dava pra pagar ônibus e nem dar outro jeito. Ficou mais um ano sem ir pra escola o menino João.
     João não poderia imaginar que aquele absurdo que estava prestes a cometer seria o próximo grande escândalo moral da sociedade brasileira, guiada pelos meios de comunicação, mas também pelas opiniões de professores, políticos e empresários. Mas João jorrava sangue no olhar. Era cruel. Sabia que era bárbaro, mas não sabia que somente 15% dos crimes em São Paulo eram cometidos por adolescentes como ele, nem que a maioria dos crimes não eram homicídios. João estava entre os 8% que cometem homicídios. Porém, era evidente que ele não sabia que dos quase 5 mil homicídios dolosos cometidos em São Paulo em 2012, 2% foram praticados por menores. Isso não importava à “sociedade”, sedenta por vingança contra os criminosos e por paz pra si própria. 
     Jamais lhe ocorreria que a redução da maioridade penal seria exigida por mais de 90% da população paulista, segundo um jornal de grande circulação, depois do que ele estava prestes a fazer. Mesmo que a redução da maioridade penal fosse inconstitucional, João não sabia o que era constituição, então não pensava nisso. Ele queria apenas ter um pouco daquilo que nunca teve. Como os outros 90% dos menores infratores, João abandonou a escola ainda no ensino fundamental. Talvez por isso não calculou que aos 13 anos ele seria sim penalizado e seu crime tinha que ser pago com 1 ano de cárcere. Iria pra Fundação Casa, onde milhares de adolescentes cumpriam “medidas sócio-educativas” para serem “reintegrados” à sociedade. Costumava ouvir que o Brasil era o país da impunidade, mas, apesar de não saber o que significava a palavra, João sabia que dois de seus 5 irmãos haviam passado poucas e boas na Fundação, pagando pecado até de antepassado. 
     Ele não pensou que, passando por ali, seria mais violentado. Que as brigas, rebeliões e mortes que presenciaria o tornariam um homem ainda mais cruel. Ele apenas queria um pouco daquilo que nunca teve. Qualquer produto banal que as propagandas quase obrigam os jovens a consumir. Não pensava nos planos do governador pra gente como ele nem poderia presumir que se tornaria o grande inimigo público na TV, nas salas de jantar, botecos, boutequins, pistas de dança, salas de aula, facebook, reuniões, conversas de todo tipo. Queria porque queria ter o tal produto. Foi roubar. Roubou e matou sem dó. Saiu correndo por alguma das avenidas que ligam o centro aos bairros da classe média. Não sabia o que fazer. Produto do roubo na mão e a filha de um cara famoso no chão.
     Um projeto de redução da maioridade penal em andamento, passeata em branco pelas ruas do bairro de classe alta. Todos querem se vingar do João. Alguém tem que pagar pelo crime. Alguém é culpado. O João?



PS: 1- o promotor que acusou João havia sido advogado de defesa de certos menores de idade que, anos antes, incendiaram um indígena que dormia na rua;
2- qualquer coincidência com a realidade nesse texto é uma mera coincidência com a realidade.

*Professor, membro da coordenação nacional do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto e militante da Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos)